IX – ABRIL
Num dia de Primavera,
Numa madrugada viril.
Capitães estavam à espera,
Dá-se o Vinte e Cinco de Abril.
Foi ao romper a bela aurora
Ouve grande confusão,
Os capitães sem demora
Libertaram a nação.
Ouviu-se um silêncio profundo,
Não houve tiros, nem machados.
E em vez de acabar o mundo
Deu-se a revolução dos cravos.
A liberdade é direito,
Dá vida a cidadania.
Todo o cidadão tem respeito
Pela palavra democracia.
Bela aurora vai chegando,
Já cantamos à vontade.
Com respeito cirandado,
Já chegou a liberdade.
VIII – IMPORTANTE
Isto de ser importante
Tem muito que apreciar.
Há muita gente ignorante,
Com a sua maneira de estar.
A minha tecnologia
É ter boa Matemática.
Versar é uma mania,
Não preciso de ter prática.
Prefiro a boa linguagem
De quem fala bom Português.
A Língua só é uma miragem
Para quem prefere o Inglês.
VII – E ASSIM COMEÇA
Na mesa-de-cabeceira
Tenho papel e caneta.
Seria grande asneira,
Armar-me então em forreta.
Quando os livros lemos,
Ficamos com satisfação.
Pensando, então sonhamos,
Para esquecer a solidão.
Transmite o pensamento,
Não penso na solidão.
Esqueço meu sofrimento,
Alegro meu coração.
Chega o desejo de paz,
Olhando na minha luz
Atenta em mim rapaz,
Só a cultura me seduz.
Vem do amor a beleza,
Da luz do sol a natureza.
Da humildade vem a fama
E do lume vem a chama.
O meu desejo insatisfeito,
Meu rancor, triste lamento.
Chegou a hora de ter jeito
E de deitar a voz ao vento
Quando se vive na solidão,
Ninguém me faz companhia.
Tenho paz no coração
Ao fazer minha poesia.
VI – Portugal
Ò meu querido Portugal
És o melhor país do mundo
Não há nenhum a ti igual
Tens o céu de azul profundo.
Meu país à beira-mar.
Descobriste muitas terras.
Tua sina é navegar
Navegaste contra guerras.
Na alma de teus soldados
Deste lições de humildade.
Por mares jamais navegados
Portugal tu és saudade.
Ainda hoje pequenino
Dás lições de liberdade.
Neste berço de menino
Cheio de fraternidade.
V – Recordações
Se recordar é viver,
Recordo sempre com boa lembrança,
O que ninguém deve esquecer
Os lindos tempos de criança.
Com meiga fraternidade
Avós nos viemos juntar.
Mostrar a nossa amizade,
Mesmo tendo alguma idade.
Mas ainda jovens somos
E viveremos mais de noventa
Desde a ternura dos quarenta
Que a todos mostramos quem fomos.
Desejo que contém muitos anos
Com paz saúde e alegria.
Deita contas aos teus planos
Tem mais sabor a fantasia.
IV – FIM DE CARREIRA
Há que comemorar,
Numa pessoa tanta virtude.
Poucas vezes se vai encontrar
Alma de sã plenitude.
Tiveste muito stress
E também muita emoção.
Mas não te faltará recordação
Desta que aqui te engrandece.
Houve dias de alegria,
Em que todas eram belas.
Mas também houve agonias
Pois bem que algumas mazelas.
Muitas amizades criadas,
Lembrança que se murmura.
Formamos personalidades
Em granizo e pedra dura.
Somos Mães de filhos que são vossos,
Mas que se aquecem ao Sol do nosso calor.
Até que um dia deixam de ser nossos,
E recordámos apenas o amor.
Quando nos encontramos
Em dias iguais aos de hoje.
Com os amigos nos recordamos
E toda a tristeza nos foge.
Agora não digo adeus.
A vida vai continuar.
Tomo agora conta dos meus
Que há muito queria abraçar.
III – O BERÇO
Se uma mão embala o berço,
Do seu filho pequenino,
Com a outra reza o terço,
Pedindo pelo seu destino.
Se a mãe estava a costurar,
Meteu a costura no cesto,
Como pode a mãe trabalhar,
Se com outra mão segura o testo.
Tratava-o com muito amor
E também com muito carinho.
Com o seu peito deu calor,
Ao seu filho pequeninho.
Estava fazendo o lume,
Com a lenha de ‘Cuderço’.
Com uma mão abana o fumo,
Com a outra reza o terço.
Muita era a devoção
Rezava a Deus pelo menino.
Com amor no coração,
Pedindo pelo seu destino.
II – AMOR IMORTAL
Um jovem que vi tão triste,
Na campa da mãe a chorar.
A paixão ainda existe
Em todos os que sabem amar.
Seus olhos cheios de lágrimas
Sentado na campa a rezar.
Também tenho a minha mágoa
E a ele quis acalmar.
Rezámos pela sua alma,
Que no céu nos está a ver.
Foi-se a mágoa com calma
Só não queremos mais sofrer.
Por alma desse grande amor
Ao pé da campa rezámos.
Amargamente chorámos,
Cada um a sua dor.
“Já me deixas-te adulto,
Mas gostava do teu carinho.
Eu já não vejo o teu vulto,
Mas daqui te mando um beijinho.”
I – DAR E RECEBER
Eu gosto muito de dar
E se encontro um mendigo a penar
Minha missão é ajudar.
Gosto de dar e receber,
Carinho para animar
É tudo o que possa dar.
Sendo eu já reformada,
Logo não posso muito dar.
Um Euro é quase nada,
Mas dou o que posso arranjar.
Não é mal pedir esmola
E não deve ser tristeza.
Receber a migalha que sobra
É ter virtude e nobreza.
Pobreza não é vergonha.
Nem devia ser tristeza.
Pois vergonha são os que têm
Pão alheio sobre a mesa.
