A minha Família é o meu Lar Doce Lar

 

IX – A raposa que subiu ao poleiro.

 

É do dia onze do cinco,

Do ano de dois mil e seis,

A grande dor que ainda sinto,

De uma queda de muitos ‘réis’.

 

Que grande aventura foi esta,

A que lhes vou descrever.

Só porque havia festa,

Quis a ‘raposa’ assim sofrer.

 

Nesta minha ternura,

No meu viver isolado.

Armei-me então de bravura,

Para cair para o outro lado.

 

Levantei alto a cabeça,

Pareceu-me ver bela ‘peça’.

Senti-me a cair em frente,

Foi um susto bem potente.

 

O meu sorriso caía,

O bom do poleiro também.

Já a luz do céu eu via,

Ajuda não tinha a de ninguém.

 

Meu entusiasmo passado,

De frio sarcasmo tremia.

Com muita dor e asfixia,

Mais o coração alarmado.

 

Toda a gente veio à festa,

Ver desfilar a santinha.

Ouve toque de orquestra,

Ai, que triste sina a minha.

 

 

VIII – Que dias mais felizes.

 

Foi na Igreja dos Mosteiros,

Em Janeiro de Cinquenta e Seis,

Em respeito de divinas leis

Muitas flores em seus canteiros.

 

Aos nove meses e um dia

Dei à luz uma menina.

A todos deu alegria.

Parecia tão pequenina.

 

Cabelos ondulados,

Cor branquinha até rosada.

Seus olhos acastanhados,

Lourinha muito prendada.

 

Em Setembro de Sessenta e Dois,

Um menino me nasceu

Comprido e Moreninho,

Foi sorte que Deus nos deu.

 

O menino é parecido com a Mãe,

A menina com o seu paizinho.

Minha filha, meu filhinho,

Vosso amor é meu também.

 

Foi o que pedi a Deus

E Deus fez-me a vontade.

Quem sabe amar os seus,

Não lhe faltam qualidades.

 

VII – Ao meu amor me prendi.

 

Foi a catorze de Setembro,

Em Portalegre eu me lembro.

Foi na Feira das Cebolas.

Onde passeavam três belas.

 

Um moço lindo lá andava,

Com o meu irmão a cirandar.

Todas gostámos de apreciar,

Quando ele por nós passava.

 

Eu no moço só pensava,

Só um sonho me parecia.

Sonhava e não acabava,

E eu dele não me esquecia.

 

Passaram então uns dias,

Em Outubro mais uma festa.

Via-o na minha freguesia,

Vestido com roupa modesta.

 

Nos vemos à sombra e à luz,

Que brilhou em nosso olhar.

O amor que nos conduz,

Queria então continuar.

 

Meu herói foste-o tu,

Naquele dia de tanta luz.

O pouco foi até muito,

Tu foste o meu ai Jesus.

 

Raiava no nosso olhar,

Luz do meu amanhecer.

Luz de Sol, luz de Luar,

Até a luz se apagar.

 

VI - MEUS FILHOS

 

Meus filhos são um tesouro,

Que encontrei na minha vida.

Valem muito mais que o ouro,

É minha sorte mais querida.

 

Os amores de minha vida

São os que vou nomear primeiro.

Filho e filha já de seguida,

Não há amor mais verdadeiro.

 

Outra filha tenho eu,

Não dispenso esse amor.

É mulher de filho meu,

A quem dou muito valor.

 

Fui planta que desabrochou,

Que deu flores de tão viva cor.

Flor que nove meses esperou

Para sentir tão bom calor.

 

Estas flores, olhem para elas!

São as melhores do meu jardim.

São mais lindas que as estrelas,

Mas continuam dentro de mim.

 

Essas flores de cor tão viva,

São razão do meu viver.

Pois na minha perspectiva

São flores que não quero perder.

 

Flores tão belas do meu jardim,

Já têm três lindos botões.

Vejo-os crescer pois sim,

Assim se formam gerações.

 

 

V – Vida Dura 

Minha mãe nos braços trazia,

Seis filhos e muitas esperanças.

Claro que o seu coração sentia,

Tinha amor pelas crianças.

 

Essas lindas Primaveras,

Gozou-as com muito amor.

Pois santinha já o eras,

Eras mulher de muito valor.

 

Neste lindo aniversário,

Parabéns e um beijo te dou.

Teu amor no ar planou,

Bem além do campanário.

 

Todo o bem a desejar,

Minha querida linda menina.

Sempre te vou recordar,

Não fosse eu a Cesaltina.

  

IV – 15072000

 

Nunca te vou esquecer

Rápido foi o teu fim.

A morte te quis vencer

Fiquei a chorar assim.

 

Já não és meu no papel,

Mas és meu no coração.

Triste dia tão cruel,

O da nossa separação.

 

Deixas muita saudade

E tristeza no coração.

Mas esta vida nos há-de,

Fugir a todos da mão.

 

Já não posso contar contigo

Nos bons e maus momentos.

Foste sempre meu amigo

Até nos dias de tormentos.

 

Nascemos para viver

Vivemos para morrer.

Esta simples equação

Só me tem feito sofrer.

 

No calor do meu leito,

Deixaste de estar amigo.

Mas dentro do meu peito,

Estarás sempre comigo.

 

Manuel António Semedo,

Teu nome e apelido.

Minha caixa de segredo

Que para mim tinha sentido.

 

Se recordar é viver

Eu te recordo querido.

Nunca te vou esquecer,

Mesmo de coração ferido.

 

Dois filhos que adoramos,

Semente de fruto teu.

Três netos que estimamos,

Foi dote que Deus nos deu.

 

Que lindo nome o teu,

Sentisse eu o que sentisse,

Desde o dia em que o disse,

Meu coração não esqueceu.

 

 

 

 

III – Não te digo Adeus, mas até logo.

 

Quando avistei o avião,

A escada pareceu-me uma varanda.

Pessoas sem confusão

Subiam na mesma banda.

 

Sentei-me numa cadeira,

Com a minha filha ao lado,

Três filas de cadeiras,

Duas pessoas em cada estrado.

 

Dois corredores ao meio,

Hospedeiras nos seguiam,

Com carrinhos sem receio,

Boas refeições nos serviam.

 

Uma televisão ao meio,

Explicando como o cinto apertar

E o colete salva-vidas

Da cadeira retirar.

 

O comandante do avião

Que bem que nos explicava.

Segui-o com atenção

“Boa viagem” nos desejava.

 

Duas horas inesquecíveis,

Nós levámos a voar,

Vi panoramas incríveis

Que agora vos vou contar.

 

Aterrámos na ilha Terceira.

Uma guia já nos esperava,

Num autocarro cor de parreira

E que bem que nos ensinava.

 

Fomos ao Museu do Vinho

E depois fomos almoçar.

Corraletas com vinhas,

Todas em roda do mar.

 

Por estradas muito estreitas

Vacas leiteiras a pastar,

Que seguiam bem perfeitas

Em serras verdes de pasmar.

 

Pedras pretas vulcânicas,

Todas em volta do mar.

Serras altas, panorâmicas,

Maravilhas de sonhar.

 

Vi vilas e aldeias,

Todas com decoração.

Vi as touradas à corda

Numa boa televisão.

 

Dos jardins também gostei,

Têm peixes vermelhos nos lagos.

Flores lindas que invejei,

Árvores frescas e relvados.

 

No hotel St.ªTeresinha,

Dormimos até às sete.

E com alguma pressinha,

Noutro avião a gente se mete.

 

Seguimos para a Ilha do Pico,

Outra guia conhecemos.

No hotel Caravela fico,

O ‘Capelinhos’ de lá o vimos.

 

Ò serra alta do Pico

Ò solidão das alturas

Só com o Nevoeiro complico,

Pois quero ver as águas puras.

 

O lago dos capelinhos.

Está a 600 metros de altura

Havia lá muitos patinhos

Que nadavam com fartura.

 

O Pico tem muita grandeza,

Meu filho quis lá ir.

De bicicleta tentou subir

Tal não foi a sua esperteza.

 

Para outra ilha seguimos,

A viagem foi de barco.

A ilha do Faial vimos

E foi mesmo um grande marco.

 

Seguimos então para S.Miguel,

Outro avião estava à prova.

Ficámos noutro ‘quartel’,

Era o Hotel Vila Nova.

 

Em Ponta Delgada vimos,

Grande estufa de ananás.

“Com fumo os brotamos!”

Explica-nos então o capataz.

 

Vi o Museu da Baleia

Na Ribeira que é bem Grande.

Vimos muita Cumieira,

Que por todo o lado se expande.

 

Açores,

Tua Fama ainda perdura,

Pois em ti reina a altura.

Tens o mar com grande fundura,

Tens as furnas que são uma ternura.

 

Tantos montes verdejantes,

Tanta cratera alongada.

Na vegetação há encantos,

Nas hortenses fico encantada.

 

Fiz adeus aos nosso guias,

E ao “choferes” que nos levaram,

Foram irmãos por cinco dias

Que maravilhas nos mostraram.

 

 

 

II – No dia 30 se passou.

 

No dia em que eu nasci

Nada mesmo se passava.

Num berço de cortiça dormi

Ficou tudo como estava.

 

As estrelas não se espantaram,

Não enlouqueceu ninguém,

Mas com ternura me olhavam

Os olhos de minha Mãe.

 

Olhos lindos que encanto.

Todos de mim gostaram.

Qual foi então o seu espanto,

Pois os olhos da menina brilhavam.

 

O meu pai esteve aflito,

O parto correu tão mal.

Morreu-lhe uma outra mulher,

Com um problema quase igual.

 

Andavam todos aflitos

Ao verem que a minha mãe sofria.

E o médico foram buscar,

Num macho que meu pai possuía.

 

De Marvão veio bom médico,

Veio de lá sempre a correr.

Nas suas mãos o anti-séptico

E a dor ajudou a conter.

 

Minha Mãe já tinha seis filhos,

Com tantas dores sofria.

Mas meu pai sem sarilhos,

Muitos carinhos lhe fazia.

 

Quando eu nasci,

As boas das estrelas vi fugir.

Com boa saúde apareci

E o sol já estava a sorrir.

 

 

 

 

I –  MINHA IRMÃ, MINHA MADRINHA.

 

Não é santa de altar,

Mas tenho-lhe muita devoção.

Viveu do verbo amar.

Era mulher com coração.

 

Há irmãs muito boas,

Felizes de quem as têm.

Eu tenho quatro também

Todas são lindas pessoas.

 

A mais velhinha

Foi mãe e madrinha.

E ajudou a criar as mais novas

Sem nunca nos dar sovas.

 

Foi altiva e grande mulher,

Apesar de nascer coxa.

Viveu como Deus quer

Corajosa, menina e moça.

 

Minha irmã e madrinha

É uma linda donzela.

Muito meiga e muito bela

Esta querida senhorinha.

 

Desejo que passe muitos anos

A minha irmã e confidente.

Junto dos seus filhos que amamos

E da sua Cesaltina sorridente.

 

Teu nome Tomázia Salgueiro Neves,

Que me deu o nome de Cesaltina.

Para mim santa divina.

Amas todos como deves.

 

 

 

 

Photobucket

Deixar uma resposta

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Modificar )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Modificar )

Connecting to %s

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.